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A Era do Telefone

TELEFONISTA

Para ligar de uma cidade a outra no Brasil, você tirava o fone do gancho e pedia: "Telefonista, por favor, uma ligação para São Paulo." Ela anotava o número, conectava os cabos na mesa interurbana e pedia que esperassem. E esperar podia significar minutos, horas ou o dia inteiro.

Famílias iam até o posto telefônico da cidade como quem ia ao cartório: sentavam, aguardavam a chamada e torciam para que a linha funcionasse. Em cidades pequenas, seguiu assim por muito tempo.

A profissão de telefonista era quase exclusivamente feminina. Mulheres jovens, com voz educada, paciência treinada, sentadas diante de painéis cheios de fios, conectando o país inteiro à mão. Quando a automação chegou, nos anos 1980, milhares perderam o emprego. A ligação que antes era feita por uma pessoa passou a ser realizada por uma máquina. Ganhamos velocidade. Perdemos o contato humano.