SECRETÁRIA ELETRÔNICA
O telefone tocava e o aparelho respondia: "Não posso atender no momento. Deixe seu recado após o bip." A secretária eletrônica foi uma pequena revolução doméstica. O nome, aliás, não é neutro: veio do sexismo estrutural da época em que o aparelho foi popularizado, de que anotar recados era trabalho de secretária. A máquina herdou o cargo e o gênero.
Até então, ou você atendia a ligação, ou ela se perdia para sempre. Com o aparelho, você podia filtrar chamadas em tempo real: ficava ouvindo quem falava e, se valesse a pena, atendia. Muita gente desligava sem deixar nada. Já outros transformavam a mensagem em performance: gravavam recados intermináveis, discutiam a relação, contavam histórias.
No Brasil, o CCE TS-30 foi um dos modelos que colocaram o aparelho ao alcance da classe média. E tinha um diferencial que parecia um luxo: controle remoto. Você ligava de um orelhão, digitava um código e ouvia seus recados de onde estivesse. Era mobilidade antes do celular.