DIGITALIZAÇÃO DA VIDA
Em março de 2020, o Brasil saiu das ruas e foi para a internet. De um dia para o outro, a escola mudou para o Zoom, o trabalho para o Google Meet, a ginástica para o Instagram e a live para o YouTube. A pandemia empurrou a gente para dentro da tela.
O áudio do WhatsApp virou a voz do país confinado. Batismos, casamentos e velórios aconteceram por vídeo. Professores deram aula enquanto crianças corriam ao fundo e gatos passavam sobre o teclado. O público e o privado se fundiram.
A pandemia não inventou a vida digital no Brasil, mas rompeu de vez a barreira do virtual. Depois dela, ficou mais difícil separar o que acontece “na internet” do que o que acontece “na vida real”. A conexão permanente aproximou pessoas, mas também suscitou perguntas urgentes: quanto da nossa vida queremos transformar em dados? Quem fica de fora quando tudo depende do acesso à internet? A experiência mostrou que a tecnologia não é apenas uma ferramenta. Ela reorganiza a nossa maneira de estar no mundo.