ORELHÃO COMUNITÁRIO
O primeiro telefone público de uma favela foi instalado na Maré, no Rio de Janeiro, no final de 1979. Começava ali um capítulo decisivo na história das telecomunicações brasileiras. As fichas eram vendidas por crianças indicadas pelas associações de moradores – os telecotecos. Mas o salto veio em 1982, com o Orelhão Comunitário: uma adaptação que também permitia receber ligações, com campainha externa audível à distância.
Era o telefone da comunidade inteira com sistemas de alto-falantes para avisar quando tinha chamada, redes de recados anotados à mão, circuitos de comunicação que funcionavam como uma central telefônica viva e coletiva. Em 1985, já havia 272 orelhões comunitários no Rio.
As fotos das inaugurações mostram olhares curiosos, crianças em volta. Para comunidades há décadas excluídas da telefonia, aquele aparelho não era só acesso: era reconhecimento. A chegada do orelhão dizia que, nas comunidades, também havia gente com voz e que precisava ser ouvida.