ORELHÃO
Em 1971, a designer e arquiteta Chu Ming Silveira recebeu uma tarefa prática: projetar um telefone público que resistisse ao sol, à chuva, ao vento e ao vandalismo das ruas brasileiras. O resultado foi uma concha – grande, curva, feita de fibra de vidro, capaz de abafar o barulho da cidade e proteger quem ligava. O formato lembrava uma orelha. O apelido veio rápido. Virou um ícone do design brasileiro.
O primeiro orelhão no Rio de Janeiro foi instalado em 20 de janeiro de 1972 (Dia de São Sebastião) na Rua Real Grandeza, em Botafogo, na Zona Sul da cidade. Logo se espalharia por todo o Brasil: em praças, esquinas, rodoviárias, beiradas de estrada, na praia ou no Maracanã. Cada cor marcava uma operadora, uma época, uma cidade.
O orelhão foi o ponto de encontro, o recado urgente, a ligação cobrar. Onde a população recebia notícias boas e ruins. Por vezes, o único telefone a que as pessoas tinham acesso para se comunicarem com a sua família, os seus amigos, o seu trabalho e com o mundo.